sexta-feira, novembro 23, 2007

E quando temos que salvar um dos nossos????

Pois é, aqui estou eu novamente a publicar neste blog, coisa que já não fazia há já muito tempo. Na verdade já ando para o fazer há muito mas confesso que o tempo não tem dado para tudo. Enfim...

Hoje trago mais um assunto que não é costume ver-se abordado e que é o AUTO-SALVAMENTO OU O SALVAMENTO DAS EQUIPAS DE SALVAMENTO. Não, não é erro, é isso mesmo: o que fazer quando uma equipa de busca e salvamento sofre um acidente e não consegue sair pelos seus próprios meios? O que fazer quando um dos elementos de uma equipa fica inconsciente ou sofre um acidente? Como remover rapidamente uma vítima de asfixia de uma atmosfera perigosa?


Na verdade estes assuntos são pouco abordados em Portugal, mas também neste assunto podemos tirar algumas lições com o que, infelizmente, vai acontecendo noutros países. Nos Estados Unidos, devido ao enorme número de vítmas entre as equipas de intervenção que todas as semanas são noticiadas, começaram a ser criadas equipas especiais dentro dos corpos de bombeiros apenas para resgatar os próprios bombeiros. Foram chamadas as RIT (Rapid Intervention Teams), as quais começaram a desenvolver procedimentos e equipamento próprios para o efeito. No entanto, estas equipas podem também actuar logo nos primeiros minutos À chegada para efectuarem busca e salvamento de vítimas no local do incêndio uma vez que são das primeiras a chegar ao local.

Deixo aqui ficar um texto (em inglês) sobre estas equipas e que mostra alguns métodos de evacuação de bombeiros e que até poderá ser aplicado em vítimas. No meu ver são duas soluções muito simples, que utilizam material existente hoje em dia em quase todos os corpos de bombeiros, excepto o que é mostrado no último video mas que eu considero uma excelente "engenhoca" e algo a pensar desenvolver..

<'ARTIGO'>

Na primeira solução apresentada com recurso a uma escada e algum material de resgate, é presuposto que os ARICAS aguentam estas cargas. Os deles aguentam porque têm que cumprir essas especificações para poderem ser utilizados por bombeiros. Já os nossos.. duvido muito!! Com cintos em nylon e fivelas em plástico! Basta na maioria dos casos não serem ARICAS para utilizações em incêndios! Vocês sabem do que eu estou a falar... (como diria o Octávio Machado).

<'Video de apresentação do Sling Link M.A.S.T.(c)'>

terça-feira, julho 31, 2007

Clube de Protecção Civil


Para que não se julque que nos blogues só se criticam as instituições, venho desta vez divulgar uma iniciativa que, a meu ver, é bastante interessante e com perspectivas de ter algum sucesso. Falo-vos do Clube de Protecção Civil, um iniciativa do ex Serviço Nacional de Bombeiros e Protecção Civil, agora Autoridade Nacional de Protecção Civil.
Esta iniciativa tem como objectivo principal o "incentivo à criação de clubes escolares cujas actividades se centram na segurança e prevenção de riscos naturais e tecnológicos. Deste modo, é proposto às escolas um conjunto de recursos informativos e formativos no âmbito da Protecção Civil e que motive o desenvolvimento de acções neste domínio".
Numa altura em que todos concordamos que é necessário incentivar os jovens para a cidadania e responsabilidade, aqui fica uma óptima sugestão para alunos e professores poderem liderar esta campanha de sensibilização e formação para a chamada autoprotecção. Pode também ser uma boa ideia para os novos docentes que por estas alturas se encontram "às voltas" com a obrigatoriedade de desenvolver actividades pedagógicas inovadoras e originais nos seus estágios e no início da sua actividade.
Aqui fica o link para o download do >>Programa Completo<<

sexta-feira, julho 20, 2007

Dec. Lei 247/2007 de 27 de Junho - Regime Jurídico dos Corpos de Bombeiros


Este documento já não é novidade para a maioria de nós uma vez que muito se falou antes da sua aprovação e publicação. Penso ter vindo na sequência de mais uma reestruturação, reorganização e renomeação da estrutura dos Bombeiros portugueses, mas sobre este assunto eu já dei a minha opinião aqui em alturas anteriores...

No entanto, o que eu gostava de conseguir aqui era uma discussão sobre este novo diploma e saber qual a opinião de todos aqueles que já têm conhecimento deste documento, para assim percebermos melhor o que mudou. Eu pessoalmente tenho algumas dúvidas, mas vou esperar pelo início da discussão. Vá lá... vamos fezer isto ao jeito do Prós e Contras da RTP... :)

Para os interessados, aqui fica o >Dec. Lei 247/2007 de 27 de Junho - Regime Jurídico dos Bombeiros<

sexta-feira, junho 29, 2007

Capacetes derretem com o calor...?!

>Notícia do Correio da Manhã<

Dito desta maneira o problema toma proporções anedóticas. Mas depois de ler a notícia do Correio da Manhão de hoje constatei que afinal o problema é outro. Os Sapadores de Braga continuarem a utilizar os capacetes que todos nós já utilizamos, aqueles de fibra de vidro, muito pesados e desconfortáveis) e que remontam já aos inícios dos anos 80... digo eu! Felizmente já existem alguns Corpos de Bombeiros que tomaram consciência de que havia equipamentos no mercado que ofereciam uma protecção MUITO superior a estes e começaram a renovar os seus equipamentos. Infelizmente em alguns casos estas renovações não chegaram a todos os elementos do CB ou, PIOR AINDA, nem sequer foi feita. Aparentemente é este último o caso dos Bomebiros Sapadores de Braga. Mas o que é verdadeiramente VERGONHOSO é terem que ser os comandos dos Corpos de Bombeiros, INDIVIDUALMENTE, a tomar esta consciência e a fazerem esforços imensos (como de resto para outra qualquer aquisição) para equiparem melhor os seus Bombeiros.
MAIS UMA VEZ, ESTA DEVERIA SER A PRIMEIRÍSSIMA PREOCUPAÇÃO DA TUTELA E DOS MUITOS ORGANISMOS QUE JÁ ESTIVERAM RESPONSÁVEIS PELOS BOMBEIROS, quer sejam eles "Serviços" ou "Autoridades"... Mas o problema é que estes, em sua defesa, dirão: "estamos a fazer um grande esforço no reequipamento dos Corpos de Bombeiros em Portugal". FALSO! Este esforço APENAS DIZ RESPEITO AOS INCÊNDIOS FLORESTAIS, PORQUE É AQUILO QUE TEM VISIBILIDADE NOS NOTÍCIÁRIOS ENTRE JUNHO E SETEMBRO! Revolto-me...

Mais uma vez: "MEUS SENHORES, OS BOMBEIROS NÃO SÃO SÓ OS INCÊNDIOS FLORESTAIS NEM EXISTEM SÓ NUM PERIODO LIMITADO DO ANO. EXISTEM TODO O ANO E DESEMPENHAM FUNÇÕES DE ALTO RISCO PARA OS QUAIS NÃO ESTÃO DEVIDAMENTE EQUIPADOS!! Só espero é que a SORTE nos continue a acompanhar E QUE NENHUM ACIDENTE ACONTEÇA. Ou então não... talvez com uma fatalidade as coisas melhorassem... como sempre, em Portugal!

sexta-feira, junho 22, 2007

Directiva Operacional Nacional Nº2 - 2007

Chegado mais um Verão chega também aquilo que muitos gostam de chamar Época de Fogos Florestais, como se da abertura de uma época desportiva se tratasse. De facto, com tantas designações e preparações "pré-época" até parece que estamos a preparar uma época de futebol... Mas no fundo até é bom, pois significa que está a chegar a única época em que governantes e governados se preocupam com os Bombeiros.
Bem, adiante, queria deixa aqui disponível para download a Directiva Operacional Nacional Nº2 para 2007. É muito importante que todos nós a conhecamos para que estejamos bem informados sobre a estrutura montada para os incêndios florestais este ano.

- Organização Global da Resposta à DON Nº2/2007

- Organograma do Sistema de Comando Operacional DON Nº2/2007

segunda-feira, junho 11, 2007

Equipamento para bombeiros comprado sem fiscalização

"A aquisição de equipamentos de protecção individual para as corporações de bombeiros não cumpriu as especificações técnicas e as orientações quanto às empresas aprovadas para cada equipamento, critérios fixados, no ano passado, por uma comissão criada para o efeito.

Houve distritos que compraram directamente a empresas estrangeiras não aprovadas pela referida comissão (caso do Porto), enquanto outros optaram por equipamentos sem os requisitos técnicos exigidos - como luvas sem o "manguito" (protecção de punho) de 14 centímetros.

Apesar de indicar que as aquisições devem seguir "as regras previstas em 2006", o Ministério da Administração Interna descarta, na sequência de esclarecimentos solicitados pelo JN, responsabilidades nos procedimentos ou mesmo nas características técnicas dos equipamentos comprados "Não nos compete fazer qualquer avaliação que só tem relação com opções das federações distritais de bombeiros". Posição que decorre da ambiguidade do processo, que resulta de determinações e orientações técnicas do Governo e da Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC), mas é desenvolvido em cada distrito de forma diferenciada, através dos orçamentos próprios dos governos civis (ver caixa).

Procedimento contestado

O procedimento adoptado tem sido, desde o início, contestado por associações profissionais, que, tal como o JN noticiou em Março, preferia ver critérios mais claros e uniformes em todos os distritos. A crítica é partilhada pelas empresas fornecedoras. "Há três ou quatro níveis de responsabilidade, dos governos civis às associações, passando, nalguns distritos, pelas federações de bombeiros", explica Alberto Madeira, da empresa Secur, uma das que tinham sido, em 2006, admitidas a concurso. "De certa forma, cada um decidiu por si, e, se em muitos distritos não houve problemas, noutros temos nota de perturbações".

É o caso, aponta, do distrito do Porto, em que a Federação de Bombeiros fez aquisições directamente no estrangeiro. Decisão que o presidente da Federação, José Miranda, garante ter sido tomada "sempre em diálogo e parceria com o Governo Civil e com o comando distrital de operações". Dentro de "um regime concorrencial", foram escolhidos os melhores preços, ainda que saindo do leque de escolha das empresas admitidas. "Estamos na Europa", argumenta José Miranda. As divergências na interpretação da legitimidade desse procedimento são muitas entre as empresas. Fragata Dias, da Extincêndios, assegura não ter vendido "um único cêntimo" com equipamentos para os quais a sua firma não tinha sido seleccionada. "Fiz a pergunta, por escrito, à Secretaria de Estado da Protecção Civil e foi-me dito que tal não seria permitido", justifica. O ministério nega esse contacto - feito por escrito e que, sabe o JN, acabou por ser respondido pela ANPC - afirmando que "a secretaria de Estado não recebeu qualquer pedido de esclarecimento". Diferente é o entendimento de Américo Viana. A empresa "Vianas" vendeu materiais para os quais não estava aprovada, por exemplo no distrito de Coimbra. O argumento é o de que "o mercado é livre e cada um compra onde quer". Questionado sobre dúvidas quanto a eventuais facilidades ou favorecimentos por ser simultaneamente comandante de uma corporação, Américo Viana recusa suspeições "A lei determina que os comandantes não vendam às suas corporações e eu não faço isso".

O argumento é partilhado por Clemente Mitra, da "Contrafogo", que assegura nunca ter feito "qualquer pressão" nem pedido "favorecimentos". Tanto assim que diz ter sido uma das empresas prejudicadas este ano "Não vendi nem 30% das quantidades do ano passado".

Quanto ao facto de ter vendido luvas sem manguito, sustenta que "a opção é das associações de bombeiros" e muitas preferem o modelo sem punho, "ligeiramente mais barato e devidamente certificado". "

in Jornal de Noticias, 11 de Junho de 2007

terça-feira, abril 10, 2007

EPI: Equipamento de Protecção Individual ou Equipamento de Protecção Incompleta?


Este é um tema que há muito quero abordar. É um dos temas que mais me revolta no que diz respeito aos Bombeiros em Portugal, a par com o da Formação. É algo que pelo facto de aparentemente ser tão óbvio, irrita por isso mesmo! Falo da Protecção Individual.
Assim como eu me preocupo com isto, parece-me extraordinário que também não exista pressão daqueles que verdadeiramente têm voz: a "opinião pública", pois trata-se de um problema grave e que afecta um número elevado de cidadãos! Estes ainda não se aperceberam que continuam a ser praticados autênticos crimes contra aqueles que garantem a sua protecção e socorro. No entanto, aquilo que nestes últimos parece ser desinteresse é de facto IGNORÂNCIA. Ignorância porque tenho a certeza que uma boa parte dos cidadãos desconhece que os Bombeiros, na sua maioria, SE ENCONTRA MAL EQUIPADO E APETRECHADO, NO QUE DIZ RESPEITO À SUA SEGURANÇA E PROTECÇÃO INDIVIDUAL...e não nos tão badalados "meios" de combate!

A QUESTÃO é muito simples: HOJE EM DIA, ENQUANTO CIDADÃO COMUM NA SUA VIDA DIÁRIA, TUDO À SUA VOLTA OBEDECE A MAIS NORMAS E PADRÕES DE SEGURANÇA DO QUE UM SIMPLES EQUIPAMENTO DE COMBATE A INCÊNDIOS DE UM QUALQUER BOMBEIRO PORTUGUÊS (!)... Vejamos: é impensável comprar um carro que não traga pelo menos um ou dois dispositivos de segurança activa e passiva da moda (ABS's, SRS's, ESP's, etc). Também não compramos certamente um brinquedo a uma criança que não seja certificado e aprovado para aquela idade por um organismo internacional. Na alimentação, exigimos todos os padrões de qualidade e de segurança alimentar e não nos envergonhamos de o apontar quando estes não são cumpridos. No que diz respeito à saúde, existem hoje um elevado número de advertências para aspectos considerados prejudiciais para todos nós, quer no que diz respeito a comportamentos de risco como o tabaco, quer à utilização de certos materiais e substâncias que todos os dias vemos serem denunciados na televisão como "capazes de aumentar o risco do aparecimento de doenças cancerígenas"... etc, etc...

Então, se todos nós nos preocupamos com isto enquanto indivíduos e se todos os responsáveis pela nossa sociedade se preocupam igualmente com estas questões...

PORQUE RAIO É QUE SE INCLUIU NUM EQUIPAMENTO DE COMBATE A INCÊNDIOS FLORESTAIS, ou no restante fardamento de combate coisas como BOTAS "TIPO TROPA", LUVAS DE CABEDAL, CALÇAS E DOLMÉN DE ALGODÃO, ASSIM COMO ALGUMAS CÓGULAS, QUE DE IGNÍFOGO APENAS TÊM O NOME?
NA verdade, cheguei a presenciar algo que nunca pensei ser possível: quando reapareceram as Brigadas Helitransportadas (um ano antes das da GNR), os elementos das equipas tinham, apesar de se vestirem de amarelo e parecerem que andavam bem equipados, dólmens de algodão exactamente iguais aos que temos como farda de trabalho no dia-a-dia do serviço no quartel!! Ou seja, significa que as equipas que eram largadas em locais de difícil acesso para tentarem controlar frentes de incêndio, TINHAM COMO PROTECÇÃO PARA A MAIOR PARTE DO SEU CORPO ALGO FEITO NUMA QUALQUER FÁBRICA DE CONFECÇÕES E QUE NÃO OFERECIA NENHUM FACTOR DE PROTECÇÃO CONTRA A EXPOSIÇÃO AO CALOR OU ÀS CHAMAS! Este facto foi presenciado por mim, num grande incêndio perto do Piodão quando vi de perto um dos elementos destas equipas me apercebi que o seu dólmen era exactamente igual ao meu... só que de cor amarela!

E depois não querem que os Bombeiros se insurjam com o facto de o primeiro ano em que estas equipas integram elementos da GNR, estes tenham equipamentos de protecção individual VERDADEIRAMENTE CONSEBIDOS PARA O COMBATE A INCÊNDIOS E QUE ANDEM APARENTEMENTE BEM EQUIPADOS, COM VESTUÁRIO IGNÍFOGO. Obviamente não sou contra o facto de eles andarem bem protegidos, longe disso!! O QUE EU PERGUNTO É PORQUE É QUE ENQUANTO ERAM OS BOMBEIROS A FAZEREM ESSE SERVIÇO NÃO TIVERAM O MESMO DIREITO A ALGO QUE OS PROTEGESSE VERDADEIRAMENTE. Aliás, estes e todos aqueles que andam no terreno a combater incêndios e não só AS EQUIPAS DE "ELITE"...

Termino dizendo: a protecção individual dos Bombeiros em Portugal... É UMA PALHAÇADA E UMA TRAPALHADA EM QUE MUITOS APENAS TENTAM TOMAR MEDIDAS PARA QUE SE REMEDEIE E SE "DÊ MAIS QUALQUER COIZINHA" AOS HOMENS, EM VEZ DE VERDADEIRAMENTE RESOLVEREM O PROBLMEMA! É O MÍNIMO DOS MÍNIMOS... francamente!!!

(desculpem o tom reivindicativo e exaltado!)