quinta-feira, janeiro 25, 2007

Autoridade Nacional de Protecçao Civil - O que sera?...


Soube-se através dos órgão de comunicação social que o Governo aprovou, no Conselho de Ministros de 18 de Janeiro, o Decreto-Lei que aprova a Lei Orgânica da Autoridade Nacional de Protecção Civil.
Muito se tem falado da criação deste novo orgão, tendo, no meu ver, ficado sempre a dúvida de se este iria substituir o actual Serviço Ncional de Bombeiros e Protecção Civil, ou se seria mais um orgão que iria estar num nível hierárquico superior a este último. No entanto, talvez estas não fossem, nem sejam, as únicas dúvidas que esta NOVA ALTERAÇÃO vem trazer ao tão aclamado Sistema Nacional de Protecção e Socorro.

Permitam-me no entanto uma observação que considero pertinente nesta matéria. Aliás, algumas observações. Já pensaram quantos anos têm os Bombeiros em Portugal, como entidade tutelar do socorro? Números redondos, 600 anos. Agora eu pergunto: porque será que em 600 anos ainda não conseguimos encontrar UMA ESTRUTURA ORGANIZADA, FUNCIONAL E TOTALMENTE CREDÍVEL E INSTITUCIONALIZADA PARA OS BOMBEIROS E PARA A PROTECÇÃO CIVIL? Será possível que ainda se andem a fazer experiências nesta matéria e ainda se continue à procura de descobrir a "pólvora"? Quantas mais pessoas serão preciso eleger, ou nomear, para desfazer e tornar a fazer tudo de novo? Quantas mais estruturas alternativas? Quantas mais nomenclaturas de veículos, designaçoes e siglas? Quantas mais Comissões, Autoridades e Livros Brancos?...Quantas?
Depois as pessoas ficam admiradas quando se compara com o funcionamento destes serviços noutros países, que mesmo com todos os seus defeitos (que também os têm), conseguem ter um nível de organização muito superior ao de Portugal. Ainda por cima, temos alguns bons exemplos de países com menos anos como Estados independentes do que a idade dos Bombeiros em Portugal... Enfim, como "águas passadas não movem moinhos", vamos esperar que não haja muitas mais mudanças e que se encontre o caminho certo.

Pensei fazer este post com o objectivo de discutir aqui quais serão as alterações de fundo desta nova Autoridade e se essas alterações serão, ou não, eficazes. Para isso, deixo aqui alguns links onde se pode ler mais sobre esta matéria e, à medida que se forem conhecendo novos desenvolvimentos, cá estaremos para os debater e avaliar.

>Notícia publicada no Jornal de Notícias<
>Alterações propostas ao Dec. Lei anterior que regulamenta o SNBPC<
>Decreto-Lei n.º 49/2003 - Cria o Serviço Nacional de Bombeiros e Protecção Civil e extingue o Serviço Nacional de Bombeiros e o Serviço Nacional de Protecção Civil<
>Organização e competências dos serviços municipais de protecção civil e do comandante operacional municipal<
>Discurso do Ministro da Administração Interna sobre a alteração da Lei de Bases da Protecção Civil<

terça-feira, janeiro 23, 2007

"Incendio Declarado" no Jornal Bombeiros de Portugal


É com muito agrado, e não escondendo alguma emoção, que hoje vi a notícia publicada no Jornal Bombeiros de Portugal, sobre este espaço: Incêndio Declarado.
Na verdade, tudo nasceu de um e-mail enviado com o intuito de colocar o endereço na lista de links do site dedicado ao programa de televisão "Vida por Vida". Qual não foi o meu espanto, quando soube que o editor executivo do Jornal iria dedicar um espaço à divulgação deste blogue na sua edição de Janeiro. Acho que é um óptimo contributo para a divulgação deste espaço, o que espero sinceramente que traga mais participantes e que faça, os já habituais, participarem mais.
Resta-me aqui agradecer à redação do Jornal Bombeiros de Portugal, a atenção dedicada, especialmente na pessoa do seu editor executivo. Bem hajam!...

quarta-feira, janeiro 17, 2007

Instruçao e treino no Corpo de Bombeiros: Pedido de Socorro ("Mayday, Mayday")

Há uns meses trouxe-vos aqui um link com alguns pequenos videos ilustrativos de técnicas de combate, novas ideias sobre desencarceramento, movimentação de veículos no "Teatro de Operações" (TO), etc. Desta vez trago-vos mais um desta série, gravada por altura da exposição FirehouseExpo 2006.


>Ver o video<
Este video alerta para o facto de ser necessário, a quando das instruções regulares que se vão fazendo nos Corpos de Bombeiros, treinar o modo como deverao ser feitos os pedidos de socorro quando nos deparamos com situações que, sozinhos, não somos capazes de resolver. Aqui, somos alertados para o facto de que este é um tópico que deve ser treinado e onde os Bombeiros devem ser colocados à prova, em exercícios com algumas "armadilhas". Obviamente, para tal é suposto que cada elemento que actue num TO possua um rádio ou equipamento de comunicação.

Este tipo de exercícios são muito fáceis de colocar em prática nos CB's e trazem algumas vantagens. Uma, é o facto de se fazer uma instrução diferente daquelas que todos estão fartos de fazer. Outra, é o de eventualmente introduzir novos conceitos e testar a reação das pessoas em locais onde o erro apenas custa o aprender da lição... e não tem mais nenhuma consequência. Por fim, ao poder interligar uma série de matérias serve para manter o pessoal actualizado e motivado.

No entanto. para que tudo isto se verifique é necessário o ingrediente mais importante:
A MOTIVAÇÃO DE TODOS, CHEFES E CHEFIADOS, COMANDANTES E COMANDADOS, E QUE NÃO SE ENCARE O TREINO APENAS COMO UMA MANEIRA DE OCUPAR AQUELES QUE UMA VEZ POR SEMANA, OU POR MÊS, COMPARECEM NO QUARTEL PARA MAIS UM DIA DE INSTRUÇÃO, MAS SIM COMO ALGO QUE QUANDO MENOS ESPERAMOS NOS PODE SALVAR A VIDA, A DOS NOSSOS COLEGAS E A DAS POPULAÇÕES QUE SERVIMOS...

domingo, janeiro 07, 2007

"1º prioridade num incêndio urbano/estrutural: ATAQUE?!"


Desde há algum tempo, e ainda hoje em dia, que a salvaguarda das vidas das vítimas num incêndio urbano sempre constituiu a primeira prioridade a quando do plano estratégico de intervenção dos Bombeiros. No entanto, raramente este conceito de salvaguarda de vidas também se aplica à segurança dos Bombeiros e isto significasse colocar a sua vida em primeiro lugar em relação à de uma vítima encurralada num edifício em chamas. Desta maneira é vulgar os Bombeiros exporem-se a grandes riscos para tentar colocar uma vítima em segurança, significando muitas vezes a perca das suas vidas.

Em 1991, Paul Grimwood, propôs que a abordagem táctica em situações como esta, e no caso de intervenções com equipas de reduzidas dimensões, deveria ser alterada. Completamente pioneiro e controverso nesta sua ideia, argumentava que se se tratasse de uma equipa de 10 elementos e algumas viaturas a questão não se colocaria, pois a busca e salvamento e o ataque poderiam ser iniciadas em simultâneo. No entanto, em situações onde apenas uma viatura e o seu pessoal (4 a 5 elementos) chega ao local e se depara com a tomada da decisão entre uma das duas abordagens, qual deverá ser a prioridade?

Esta proposta tornou-se numa lição trágica quando em 1996 dois bombeiros ingleses morreram quando foram apanhados por um “flashover”, poucos minutos depois de chegarem, juntamente com mais quatro colegas, a um local onde a chamada dava conta de um incêndio numa habitação. Quando deparados com a situação de que várias crianças se encontrarem encurraladas no piso superior, optaram por iniciar a busca interior em detrimento de qualquer acção de extinção ou mesmo de confinamento do foco de incêndio. A propagação muito rápida do incêndio provocou o seu alastramento e deu origem de seguida a um “flashover” violento, apanhando todos os que se encontravam dentro da habitação.

Desde essa altura, a visão dos responsáveis pelas operações das equipas de bombeiros de vários países com provas dadas nesta área tem vindo a alterar-se. Estes propõem hoje em dia que, em caso de não poderem ser levadas a cabo a busca e salvamento e o ataque em simultâneo, ou no caso das vítimas se encontrarem em zonas de acesso fácil e rápido, DEVE-SE DAR INÍCIO À EXTINÇÃO DO INCÊNDIO ASSIM QUE SE CHEGA AO LOCAL. Muitas corporações americanas têm alterado os seus regulamentos operacionais para esta nova visão pois começaram a aperceber-se que com isto se permite, ao contrário do que se poderia pensar, aumentar a eficácia das intervenções colocando menos vidas em perigo através da redução dos riscos a que estas estão expostas.

E vocês, o que acham??

(Este texto foi adaptado de um artigo publicado no site www.firetactics.com e da autoria de Paul Grimwood. A fotografia foi retirada do site www.firehouse.com.)